Dra. Letícia Leal Lessa · Médica · CRM-RJ 52-115924-0 · Cirurgia Cardiovascular · RQE 58897

Dra. Letícia Leal LessaCirurgiã cardiovascular

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Troca valvar aórtica

A válvula aórtica controla a saída do sangue do coração para o corpo. A estenose aórtica, em que a válvula se torna rígida e estreita, é a doença valvar mais comum em pessoas idosas. A troca valvar aórtica substitui a válvula doente por uma prótese.

Revisado por Dra. Letícia Leal Lessa, CRM-RJ 52-115924-0, RQE 58897, em 03/11/2026. Conteúdo educativo; não substitui a consulta.

O que é

A válvula aórtica pode adoecer de duas formas principais: a estenose, quando ela calcifica e não abre o suficiente, obrigando o coração a trabalhar contra uma resistência; e a insuficiência, quando ela não fecha e parte do sangue retorna ao ventrículo. Pessoas que nascem com válvula bicúspide, com duas folhas em vez de três, têm mais chance de desenvolver esses problemas mais cedo.

Na troca valvar aórtica cirúrgica, a válvula doente é removida e substituída por uma prótese biológica ou mecânica. Em alguns casos de insuficiência é possível reparar a válvula em vez de trocá-la.

Quando é indicada

A indicação depende da gravidade medida no ecocardiograma e da presença de sintomas. A estenose aórtica grave com sintomas, como falta de ar, dor no peito ou desmaio, tem indicação de tratamento, porque sem intervenção o prognóstico é ruim.

A escolha entre cirurgia e implante de válvula por cateter (TAVI) é feita por um Heart Team, levando em conta idade, risco cirúrgico, anatomia da válvula e da aorta, outras doenças cardíacas que precisem de correção na mesma operação e a expectativa de durabilidade da prótese.

  • Estenose aórtica grave com sintomas
  • Estenose aórtica grave sem sintomas, mas com queda da função do ventrículo ou outros sinais de alerta
  • Insuficiência aórtica grave com sintomas ou com dilatação e queda da função do ventrículo
  • Paciente que será operado por outro motivo, como revascularização, e tem doença aórtica moderada a grave

Como é feita

A cirurgia é feita sob anestesia geral, com circulação extracorpórea, e costuma durar de duas a quatro horas. O acesso pode ser pela esternotomia completa ou, em pacientes selecionados, por uma miniesternotomia, com incisão menor na parte superior do peito.

A prótese biológica não exige anticoagulação permanente, mas tem durabilidade limitada; a mecânica é mais durável, mas exige anticoagulante oral para a vida toda. As diretrizes usam a idade como referência inicial, e a decisão é compartilhada com o paciente, considerando também a possibilidade de, no futuro, implantar uma nova válvula por cateter dentro da prótese biológica.

Riscos e complicações

Os riscos variam com a idade, a função do coração, a presença de doença coronariana e outras condições, e são estimados com escores como o STS e o EuroSCORE II.

As complicações descritas incluem sangramento, infecção, arritmias, bloqueio da condução elétrica com necessidade de marca-passo, acidente vascular cerebral, disfunção ou infecção da prótese ao longo do tempo, complicações do anticoagulante nas próteses mecânicas e, em uma minoria dos casos, óbito.

Recuperação

A internação costuma durar de cinco a sete dias, com um a dois dias em terapia intensiva. A consolidação do osso leva de seis a oito semanas na esternotomia completa, e um pouco menos nas miniesternotomias. A maioria dos pacientes relata melhora importante da falta de ar já nas primeiras semanas.

O acompanhamento inclui ecocardiograma periódico para avaliar a prótese, profilaxia de endocardite antes de procedimentos dentários, controle do anticoagulante quando houver prótese mecânica e seguimento clínico de longo prazo com o cardiologista.

Perguntas frequentes

Cirurgia ou TAVI: como se decide?
Pelo Heart Team, com base em idade, risco cirúrgico, anatomia, outras doenças que precisem de correção e durabilidade esperada da prótese. Em pacientes mais jovens e de baixo risco a cirurgia continua sendo a referência; em idosos ou pacientes de alto risco o TAVI costuma ser preferido. A segunda opinião existe justamente para essa conversa.
A estenose aórtica pode ser tratada com remédio?
Os medicamentos controlam sintomas e outras doenças associadas, mas não revertem o estreitamento da válvula. Quando a estenose é grave e causa sintomas, o tratamento é a substituição da válvula, por cirurgia ou por cateter.
Quanto tempo dura uma prótese biológica?
Varia com a idade do paciente e o tipo de prótese. Em pessoas mais velhas a durabilidade tende a ser maior; em pessoas mais jovens a degeneração costuma ser mais rápida. Esse ponto é discutido na escolha entre prótese biológica e mecânica.
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